Resumo Rápido (TL;DR): Private equity é o investimento em empresas não cotadas em bolsa, através de fundos geridos por sociedades gestoras profissionais. O fundo investe capital numa empresa, adquirindo uma participação maioritária ou minoritária, e trabalha com os restantes acionistas e a equipa de gestão para aumentar o seu valor ao longo de vários anos. O retorno é normalmente realizado através da venda da participação no momento da saída.
Os fundos de capital de risco (private equity) têm vindo a assumir um papel cada vez mais relevante no financiamento, crescimento e consolidação de empresas em Portugal. Das mais de 250 transações realizadas nos últimos 18 meses até junho de 2026, mais de 50% envolveram diretamente os fundos ou as respetivas empresas participadas.
Para um empresário, a entrada de um fundo de private equity pode representar muito mais do que a venda de uma participação no capital, permitindo-lhe monetizar parte do valor criado ao longo dos anos. Pode também significar acesso a capital para financiar o crescimento, reforço da equipa de gestão, apoio na expansão para novos mercados ou capacidade para realizar aquisições com elevado potencial de sinergias.
Ao mesmo tempo, a entrada de um investidor financeiro implica uma nova relação entre os sócios. Compreender como pensa e atua um fundo é, por isso, fundamental para qualquer empresário que esteja a considerar uma operação de investimento ou que receba uma abordagem de um fundo.
Neste guia, explicamos o que é o private equity, como funciona um fundo de investimento e como estrutura as suas operações. Abordamos também o que a entrada de um fundo pode significar, na prática, para o empresário.
O que é private equity?
Um fundo de private equity é um veículo de investimento que reúne capital de diferentes investidores com o objetivo de investir em empresas não cotadas em bolsa. O fundo pode assumir uma participação maioritária ou minoritária e, em conjunto com os restantes acionistas e a equipa de gestão, procura aumentar o valor da empresa durante o período de investimento.
A criação de valor pode resultar do crescimento do negócio, da melhoria da eficiência operacional, da profissionalização da gestão ou da realização de aquisições. Após um determinado período, normalmente de 5 a 7 anos, o fundo procura realizar o seu investimento através da venda da participação, seja a um investidor estratégico, outro fundo ou aos restantes acionistas.
O private equity em Portugal
Em Portugal, a atividade de capital de risco encontra-se sujeita a supervisão da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Atualmente, conta com mais de 20 sociedades gestoras com fundos em captação de capital ou em fase de investimento.
Nos últimos anos, o mercado português beneficiou de um importante impulso institucional. Em 2023, o Programa Consolidar, promovido pelo Banco Português de Fomento, selecionou 11 fundos de capital de risco, disponibilizando um total de €560 milhões de capital público, aos quais se juntaram cerca de €350 milhões de capital privado.
Para além do capital mobilizado através do Banco Português de Fomento, os fundos de private equity portugueses têm vindo a captar capital junto de diferentes tipos de investidores, incluindo o Banco Europeu de Investimento (BEI), family offices nacionais e internacionais e investidores particulares de elevado património (High-Net-Worth Individuals – HNWI).
O mercado português tem também despertado o interesse de fundos internacionais, sobretudo em estratégias de buy and build. Nestes casos, a entrada no mercado português é frequentemente realizada através de uma empresa que já integra o portefólio do fundo.
Que estratégias de private equity existem?
O termo private equity abrange diferentes estratégias, consoante a fase da empresa e o tipo de participação:
- Growth capital: investimento através de um aumento de capital, normalmente minoritário, em empresas já rentáveis que precisam de capital para crescer, internacionalizar ou fazer aquisições.
- Buyout: aquisição de uma participação, frequentemente maioritária, numa empresa já estabelecida. O objetivo passa por criar valor através de diferentes alavancas, como a profissionalização da gestão, o desenvolvimento de novos mercados e produtos, o investimento em tecnologia e a realização de aquisições. Quando uma parte relevante da aquisição é financiada através de dívida, a operação é designada por leveraged buyout (LBO).
- Management buy-out e buy-in: operações em que a empresa é adquirida pela equipa de gestão existente (MBO – Management Buy-Out) ou por uma nova equipa de gestão externa (MBI – Management Buy-In), frequentemente com o apoio financeiro de um fundo de private equity.
- Reestruturação (turnaround): investimento em empresas que atravessam dificuldades financeiras ou operacionais, com o objetivo de recuperar a sua rentabilidade e reposicionar o negócio. Estas operações envolvem frequentemente uma intervenção mais profunda na estrutura financeira, operacional e de gestão da empresa.
Como é que um fundo de private equity cria valor?
O objetivo de um fundo de private equity é aumentar o valor da empresa durante o período em que permanece no capital. Para isso, pode atuar em várias frentes:
- Crescimento: expansão para novos mercados, desenvolvimento de novos produtos ou canais de venda e aumento da capacidade comercial ou produtiva.
- Eficiência operacional: melhoria de processos, margens, produtividade e gestão do fundo de maneio.
- Profissionalização: reforço da equipa de gestão, melhoria dos sistemas de informação, implementação de estruturas de reporting e reforço da governação.
- Aquisições: realização de operações de buy and build, utilizando a empresa como plataforma para adquirir negócios complementares e gerar sinergias.
- Estrutura de capital: adequação da estrutura de financiamento da empresa às suas necessidades de crescimento e investimento.
No momento da saída, o valor criado ao longo do período de investimento pode traduzir-se num aumento significativo do valor da participação detida pelo fundo e pelos restantes acionistas.
Recebeu o interesse de um fundo de private equity?

O que significa a entrada de um fundo para o empresário?
A entrada de um fundo pode assumir diferentes configurações e ter impactos distintos para o empresário. O fundo pode adquirir uma participação maioritária, uma participação minoritária ou realizar um investimento de capital para financiar o crescimento da empresa.
Para o empresário, isto pode significar:
- Realizar parte do valor criado, mantendo simultaneamente uma participação na empresa e exposição ao seu crescimento futuro;
- Obter capital para crescer, financiar novos investimentos ou realizar aquisições;
- Acelerar a internacionalização e o acesso a novos mercados;
- Encontrar uma solução de sucessão, mantendo a empresa e a sua equipa durante um período de transição;
- Reforçar a equipa de gestão, através da contratação de profissionais com experiência em determinadas áreas;
- Beneficiar da experiência e rede de contactos do investidor, nomeadamente para identificar novas oportunidades de crescimento.
Em contrapartida, a entrada de um fundo implica uma nova relação entre os acionistas. O empresário poderá passar a partilhar determinadas decisões estratégicas, cumprir requisitos de reporting mais exigentes e alinhar-se com o horizonte de investimento e os objetivos de retorno do fundo.
Quais são as condições típicas de um investimento de private equity?
A entrada de um fundo de private equity é normalmente acompanhada por um conjunto de condições destinadas a proteger o investimento e a alinhar os interesses dos acionistas. Entre as mais comuns estão:
- Período de transição: permanência dos atuais sócios ou da equipa de gestão durante 1 a 3 anos após o investimento;
- Não concorrência e não solicitação: restrições à entrada em negócios concorrentes e à contratação de colaboradores da empresa, até 3 anos após o período de transição;
- Mecanismos de saída: cláusulas de drag-along, que obrigam os restantes acionistas a acompanharem uma venda da empresa; e
- Direitos de veto: direito de bloquear determinadas decisões estratégicas, previsto no acordo parassocial, independentemente de o fundo deter uma participação minoritária.
O que o fundo procura quando olha para uma empresa?
Embora cada fundo tenha uma estratégia própria, existem alguns fatores que tendem a ser particularmente relevantes na análise de uma oportunidade:
- Crescimento: histórico e potencial de crescimento do negócio;
- Rentabilidade: EBITDA, margens e capacidade de geração de cash flow;
- Posição competitiva: diferenciação, quota de mercado e barreiras à entrada;
- Qualidade da gestão: capacidade da equipa para executar o plano de crescimento;
- Recorrência das receitas: estabilidade e previsibilidade da faturação;
- Mercado: dimensão, crescimento e tendências estruturais;
- Potencial de consolidação: possibilidade de realizar aquisições e criar uma plataforma de buy and build; e
- Potencial de saída: existência de potenciais compradores estratégicos ou financeiros no futuro.
Quer abrir o capital da sua empresa a um fundo de investimento?
O private equity pode assumir diferentes formas, mas existe um princípio comum: o investidor procura adquirir uma participação numa empresa com potencial de valorização e realizar esse investimento no futuro.
Para o empresário, compreender esta lógica é essencial. Uma proposta de investimento não deve ser analisada apenas pelo preço oferecido, mas também pela estrutura da operação, participação que permanece nas mãos do empresário, regras de governação, responsabilidades da equipa de gestão, mecanismos de saída e alinhamento entre os acionistas.
A decisão de abrir o capital deve, por isso, ser analisada como uma operação financeira e estratégica, e não apenas como uma venda de ações.
A Omnium apoia empresários na avaliação e estruturação de operações de entrada de investidores, venda de participações e processos de sucessão, acompanhando a negociação e execução da operação de forma independente.
Perguntas frequentes sobre private equity
É o investimento no capital de empresas não cotadas em bolsa, realizado por fundos geridos profissionalmente. O objetivo é apoiar o crescimento e aumentar o valor da empresa durante um determinado período, procurando posteriormente realizar o investimento através da venda da participação.
Em Portugal, capital de risco é o conceito utilizado no enquadramento legal e abrange, em sentido amplo, a atividade de private equity.
Não. Os fundos de buyout procuram normalmente o controlo, mas existem fundos de crescimento que investem de forma minoritária, deixando o controlo ao empresário.
Depende do acordo. É frequente o fundo pedir ao fundador que se mantenha durante um período de transição ou que reinvista parte do valor, para alinhar interesses com o crescimento futuro.
Recebeu o interesse de um fundo de investimento ou está a ponderar abrir o capital da sua empresa? Fale com a Omnium.